A distribuição do livro é voltada para escolas, projetos de arte e educação, centro culturais e bibliotecas comunitárias. As solicitações devem ser feitas até o dia 28 de julho de 2026.
Cada inscrição garante 3 exemplares por instituição de ensino.
Reunimos escritores do Brasil e de Angola em uma publicação voltada ao público infantojuvenil, com audiobook, conteúdo pedagógico e distribuição gratuita.
Projeto reúne escritores do Brasil e de Angola em publicação voltada ao público infantojuvenil, com audiobook, conteúdos pedagógicos e distribuição gratuita.
Há histórias que não cabem apenas nos livros: elas atravessam séculos, desafiam silêncios e continuam ensinando liberdade. É a partir desse gesto de memória e reinvenção que nasce Luiz Gama, Artífice da Liberdade, novela gráfica inédita que transforma a trajetória de um dos maiores abolicionistas das Américas em uma obra voltada ao público infantojuvenil.
Com 60 páginas, a publicação apresenta às novas gerações a trajetória de Luiz Gama — advogado, jornalista, poeta e intelectual negro que libertou, por meio da atuação jurídica, centenas de pessoas escravizadas no Brasil do século XIX.
Realizada pela Talismã Arte e Cultura, a novela gráfica conta com roteiro original de Tenille Bezerra e reúne textos da própria autora, do escritor angolano Ondjaki e de Bruno Rodrigues de Lima. As ilustrações são assinadas pelo artista baiano Athos Sampaio.
Distribuição gratuita de livros!
Do dia 14 a 28 de julho, estarão abertas as inscrições voltadas para escolas, bibliotecas, centros comunitários, projetos de arte e educação e demais iniciativas voltadas ao incentivo à leitura. Esta ação visa ampliar o potencial pedagógico da obra e seu alcance junto a diferentes públicos.
A iniciativa reafirma o compromisso do projeto com a democratização do acesso à leitura e com a valorização das narrativas negras na literatura brasileira contemporânea, transformando a história de Luiz Gama em uma potente ferramenta de educação, memória e imaginação política para o presente.
A tiragem é limitada.
Garanta a sua inscrição!
Uma jornada pela história de Luiz Gama, o maior abolicionista das Américas. Do seu nascimento em 1831, até os seus últimos dias, em 1882, a vida de Luiz Gama foi repleta de drama, resistência, lutas e vitórias.
Concebida a partir dos textos escritos por ele, a novela gráfica apresenta a trajetória do homem que sonhou com um Brasil livre e soberano. Um homem negro que lutou por um futuro de igualdade para todos. Celebrar sua vida e legado é uma afirmação e um convite: somos nós o futuro de Luiz Gama.
Tendo em vista estimular processos de ensino-aprendizagem, trocas de conhecimento e partilhas de modo geral, desdobramos aqui algumas sugestões do livro Luiz Gama, artífice da liberdade como forma de apontar caminhos para que surjam novos questionamentos, e com eles, outros horizontes de pensamento em torno de questões fundamentais que cercam nossa história e a compreensão em torno de dinâmicas, sociais, históricas e culturais.
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SORTIMENTO DE GORRAS
(Para gente de grande tom)
Seja um sábio o fabricante,
Seja a fábrica mui rica,
Quem carapuças fabrica
Sofre um dissabor constante:
Obra pronta, voa errante,
Feita avulso, e sem medida;
Mas no vôo suspendida,
Por qualquer que lhe apareça,
Lá lhe fica na cabeça,
Té as orelhas metidas.
Faustino Xavier de Novais
Se o grosseiro alveitar ou charlatão
Entre nós se proclama sabichão;
E, com cartas compradas na Alemanha,
Por anil nos impinge ipecacuanha;
Se mata, por honrar a Medicina,
Mais voraz do que uma ave de rapina;
E num dia, se errando na receita,
Pratica no mortal cura perfeita;
Não te espantes, ó Leitor, da novidade,
Pois tudo no Brasil é raridade!
Se os nobres desta terra, empanturrados,
Em Guiné têm parentes enterrados;
E, cedendo à prosápia, ou duros vícios,
Esquecendo os negrinhos seus patrícios;
Se mulatos de cor esbranquiçada,
Já se julgam de origem refinada,
E curvos à mania que domina,
Desprezam a vovó que é preta-mina: –
Não te espantes, ó Leitor, da novidade,
Pois tudo no Brasil é raridade!
Se o Governo do Império Brasileiro,
Faz coisas de espantar o mundo inteiro,
Transcendendo o Autor da geração,
O jumento transforma em sor Barão;
Se o estúpido matuto, apatetado,
Idolatra o papel de mascarado;
E fazendo-se o lorpa12 deputado,
N’Assembléia vai dar seu – apolhado!
Não te espantes, ó Leitor, da novidade,
Pois tudo no Brasil é raridade!
Se impera no Brasil o patronato,
Fazendo que o Camelo seja Gato,
Levando o seu domínio a ponto tal,
Que torna em sapiente o animal;
Se deslustram honrosos pergaminhos
Patetas que nem servem p’ra meirinhos
E que sendo formados Bacharéis,
Sabem menos do que pecos bedéis:
Não te espantes, ó Leitor, da novidade,
Pois que tudo no Brasil é raridade!
Se temos Deputados, Senadores,
Bons Ministros, e outros chuchadores;
Que se aferram às tetas da Nação
Com mais sanha que o Tigre, ou que o Leão;
Se já temos calçados – mac-lama13,
Novidade que esfalfa a voz da Fama,
Blasonando as gazetas – que há progresso,
Quando tudo caminho p’ro regresso:
Não te espantes, ó Leitor, da pepineira,
Pois que tudo no Brasil é chuchadeira!
Se contamos vadios empregados,
Porque são de potências afilhados,
E sucumbe, à matroca, abandonado,
O homem de critério, que é honrado;
Se temos militares de trapaça,
Que da guerra jamais viram fumaça,
Mas que empolgam chistosos ordenados,
Que ao povo, sem sentir, são arrancados:
Não te espantes, ó Leitor, da pepineira,
Pois que tudo no Brasil é chuchadeira!
Se faz oposição o Deputado,
Com discurso medonho, enfarruscado;
E pilhado a maminha da lambança,
Discrepa do papel, e faz mudança;
Se esperto capadócio ou maganão,
Alcança de um jornal a redação,
E com quanto não passe de um birbante,
Vai fisgando o metal aurissonante:
Não te espantes, ó Leitor, da pepineira,
Pois que tudo no Brasil é chuchadeira!
Se a guarda que se diz – Nacional,
Também tem caixa-pia, ou musical,
E da qual dinheiro se evapora,
Como o – Mal – da boceta de Pandora;
Se depois por chamar nova pitança,
Se depois se conserva a – Esperança;
E nisto resmungando o cidadão
Lá vai ter ao calvário da prisão;
Não te espantes, ó Leitor, da pepineira,
Pois que tudo no Brasil é chuchadeira!
Se temos majestosas Faculdades,
Onde imperam egrégias potestades,
E, apesar das luzes dos mentores,
Os burregos também saem Doutores;
Se varões de preclara inteligência,
Animam a defender a decadência,
E a Pátria sepultando em vil desdouro,
Perjuram como Judas – só por ouro:
É que o sábio, no Brasil, só quer lambança,
Onde possa empantufar a larga pança!
Se a Lei fundamental – Constipação
Faz papel de falaz camaleão,
E surgindo no tempo de eleições,
Aos patetas ilude, aos toleirões;
Se luzidos Ministros, d’alta escolha,
Com jeito, também mascam grossa rolha
E clamando que – são independentes –
Em segredo recebem bons presentes:
É que o sábio, no Brasil, só quer lambança,
Onde possa empantufar a larga pança!
Se a Justiça, por ter olhos vendados,
É vendida, por certos Magistrados,
Que o pudor aferrando na gaveta,
Sustentam – que o Direito é pura peta;
E se os altos poderes sociais,
Toleram estas cenas imorais;
Se não mente o rifão, já mui sabido:
Ladrão que muito furta é protegido –
É que o sábio, no Brasil, só quer lambança,
Onde possa empantufar a larga pança!
Se ardente campeão da liberdade,
Apregoa dos povos a igualdade,15
Libelos escrevendo formidáveis,
Com frases de peçonha impenetráveis;
Já do Céu perscrutando alta eminência
Abandona os troféus da inteligência;
Ao som d’aragem se curva, qual vilão,
O nome vende, a glória, a posição:
É que o sábio, no Brasil, só quer lambança,
Onde possa empantufar a larga pança!
E se eu, que amigo sou da patuscada,
Pespego no Leitor esta maçada;
Que já sendo avezado ao sofrimento,
Bonachão se tem feito pachorrento;
Se por mais que me esforce contra o vício
Desmontar não consigo o artifício;
E quebrando a cabeça do Leitor
De um tarelo não passo, ou falador;
É que tudo que não cheira a pepineira
Logo tacham de maçante frioleira.
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Autores: Ondjaki, Tenille Bezerra, Bruno Rodrigues de Lima
Roteiro original: Tenille Bezerra
Ilustração e diagramação: Athos Correia Sampaio
Identidade visual, capa e projeto gráfico: Duna (Isabella Coretti e Lia Cunha)
Produção Executiva e Produção gráfica: Fabiana Marques (Produtora Árvore)
Webdesigner e infraestrutura digital: Adriano Marques
Administração: Tiago TAO
Assessoria de comunicação: Paula Puterelo e Cris Félix
Autores:
Ondjaki, Tenille Bezerra, Bruno Rodrigues de Lima
Roteiro original:
Tenille Bezerra
Ilustração e diagramação:
Athos Correia Sampaio
Identidade visual, capa e projeto gráfico:
Duna (Isabella Coretti e Lia Cunha)
Produção Executiva e Produção gráfica:
Fabiana Marques (Produtora Árvore)
Webdesigner e infraestrutura digital:
Adriano Marques
Administração:
Tiago TAO
Assessoria de comunicação:
Paula Puterelo e Cris Félix